Cidade Adormecida

Vagueio pela cidade, são umas 5 e pouco da manhã, vou de viagem e tenho que apanhar o autocarro, irei percorrer a cidade toda a pé, visto que tudo dorme, e os transportes não existem.
Saio da minha rua, o sol em Espanha tenta nascer. Sigo o meu caminho pela cidade, verifico que os meus sentidos estão bastante apurados, a minha visão não vê ninguém, os meus ouvidos tentam captar sinal humano. Acabo por perceber que a única coisa que consigo ouvir são os pássaros a cantar, e o vento a soprar. Que solidão! Onde andam os carros ou as pessoas? Questiono se não estou na minha aldeia a sonhar.
A minha memória traz-me aos tempos de escola onde me diziam que as cidades não dormem, existindo sempre vida. Acabo por perceber o que não me disseram na altura, existem sempre duas realidades. A primeira é que estou numa cidade de interior a segunda é que o país vive a duas velocidades. Enquanto no litoral tudo se move a uma velocidade no interior demoramos a sair do nosso lugar.
Ao fim de 40 minutos a caminhar pela cidade começo a ver e a ouvir carros a passar, e penso que ainda bem que a cidade está acordar mas devagar. Até no interior, o amanhecer acaba por ter outra velocidade.
