Há Santos na Aldeia

Muitos dos jovens que vivem em aldeias, quer seja do interior ou de outro lado do país, crescem com valores muito ligados à vida do campo. Uns optam por não abandonar o local onde cresceram, outros desejam a agitação das grandes cidades, optando por abandonar as suas origens.
Embora estejamos perto ou longe desse meio, quando estamos nesta altura do ano coloca-se a questão: será que a vida da aldeia nos abandona ou está presente em nós?
Ao longo do tempo percebi que não, embora já tenha passado por algumas localidades, como Lisboa e agora a Covilhã, as minhas origens fazem parte de mim, e é o mês de junho que mostra o verdadeiro significado patriota e festivo para muitos de nós. No decorrer do ano somos brindados com várias festividades (universitárias, temáticas, etc), mas a maior parte das pessoas anseia pela chegada do mês de junho para dar inicio à procissão e começar as festas de todos os santos.
Quer seja Santo António, S. Pedro ou S. João, sejamos religiosos ou não, o que acabamos por querer ouvir são as músicas do verdadeiro bailarico de verão. A sardinha e a bifana sempre a sair, o fino ou imperial (sem rivalidades à mistura) bem fresquinha na mão e sem se colocar a questão se é Super ou Sagres.
As pessoas procuram reunir-se com os amigos ou com as suas famílias. Com o "comboio" sempre a passar, a dança vai-se ajustando ao ritmo da música típica portuguesa, rezando para que a noite não acabe. E se acabar, sabemos que na próxima semana haverá novamente procissão.
Embora quando era mais novo não ligasse nem gostasse muito deste tipo de festas, agora com outra perspetiva de vida, acabo por perceber o que são e significam realmente estas comemorações. Todo o convívio com os amigos, a existência sempre daquele "rei" da festa, traz de volta as memórias da minha infância e da aldeia que me viu crescer.
Quer ande pela Covilhã, Lisboa ou qualquer outra parte do país, sei que no mês de junho, quando chega a sexta-feira, a minha memória regressa sempre à minha "terrinha", não sendo preciso a bebida fazer a sua magia.